Hoje eu estava aqui me questionando porque eu me apaixonei dessa forma por você,porque você causa esse efeito que é tão seu que eu nem sei definir em mim..
Tudo na minha vida se move no sentido oposto ao da sua,não só no sentido físico e geográfico mas no pessoal também. Você é tão diferente de mim nos aspectos mais básicos que alguém que conhecesse a nós superficialmente nuinca nos imaginaria juntos. E mesmo assim,você consegue fazer um domingo em família cujo almoço é lasanha e a sobremesa torta de limão não ter a mínima graça,faz com que a comida maravilhosa da minha mãe pareça algo totalmente insípido.
Eu detesto esses ideais românticos,não suporto amores platônicos,correspondidos pela metade,correspondidos dia sim e dia não,gosto de coisas inteiras,minhas e únicas. Eu tenho necessidade de sentir,de saber,de ouvir.. eu descarto até o ouvir,se os dois primeiros estiverem presentes.
Eu penso tanto,planejo tanto,escolho tanto.. vivo meu lado mulher forçadamente,tento traze-lo à tona todo o tempo. Mas você insiste em trazer aquela menina de 14 anos sentimentalóide de volta mas que m*! Deixa ela lá,enterrada naquela gaveta de inutilidades junto com aquele cordão que você me deu e eu nunca usei.
Eu te culpo por algo que você conseguiu fazer e eu não: seguir em frente. Você sempre foi o que demonstrou mais amor,sempre foi o que suportou mais e perdoou mais. E eu nunca dei o devido valor àquelas pequenas vezes que você engoliu seu orgulho e se calou nas nossas discussões,daquelas vezes que eu jogava as coisas sem dó na sua cara e você deixava passar,de todas as vezes que eu quis te atingir com as palavras mais sórdidas do mundo e você estava lá,dentro da sua paciência inexorável comigo..
Uma hora,fatalmente,tudo iria se desgastar - e desgastou.- Você aguentou tudo firme mas também foi firme ao dizer que não aguentaria mais. Mudou seu estilo,conheceu novas pessoas,cresceu e apareceu. Me deixou pelo caminho,no passado para que outras coisas pudessem fazer parte do seu presente.
Mas eu nunca acreditei que aquilo que eu julgava ser inexorável chegaria ao fim, mas Anna querida,nada é inexorável,uma hora tudo se rompe.
E foi nessa falta de crença que eu fiquei tanto tempo querendo te trazer de volta,procurando encontrar você nos menores detalhes possíveis,buscando sinais vindos do céu que me trouxessem algum fio de esperança de que as coisas voltariam ao seu lugar.
Mas eu sou de sagitário,nada meu nunca esteve no lugar.. Meu quarto é uma bagunça,minhas idéias são bagunçadas e volta e meia,minha vida fica tão bagunçada que nem eu me acho nela. Se eu me mexer sem tomar cuidado,acabo sempre tropeçando em alguma coisa que eu mesma deixei pelo caminho. Mas aprendi a levantar sozinha e guardá-la no seu devido lugar,para que não provoque mas acidentes.
Só que você é algo em que eu tropeço nas épocas mais alternadas possíveis e não guardo,deixo lá. Sempre acho que uma hora ou outra eu vou acabar precisando novamente e fico receosa em guardar,então deixo lá e por vezes esqueço por muito tempo que deixei.
Mas cedo ou tarde,acabo tropeçando e caindo no mesmo lugar,pelas mesmas razões. E fico lá sentada pensando porque caí mais uma vez se já sabia que isso aconteceria. E vejo o mesmo filme passar diante de mim,e me encolho aonde caí,me deixando por um momento,ser coadjuvante da minha própria história.
E agora caí de novo,sei que não tarda pra eu levantar porque sou hiperativa,não suporto ficar parada.
Ainda não adquiri maturidade,inteligência ou seja lá o que for pra te guardar de vez mas dessa vez vou fazer diferente,como boa desorganizada que sou,vou te jogar pro alto da prateleira aonde eu não possa te ver por uns tempos porque assim,quando eu quiser te encontrar novamente,não vou ter que cair e sim,levantar...